O que é Misofonia: Tratamento, causas e como controlar


Você conhece alguém que só de ouvir pequenos sons ou ruídos do ambiente já sofre com irritação? Ou seja, quando essa pessoa ouve sons cotidianos, como a mastigação, a torneira pingando ou o barulho de uma caneta é comum que sinta uma sensação desconfortável?

Se você responder sim a essa pergunta, então saiba que você pode estar diante de alguém que sofre de misofonia. Embora seja um problema relativamente raro, trata-se de uma condição que pode atrapalhar em muito a vida das pessoas, prejudicando a saúde do corpo e da mente.

Além disso, podem durar anos ou mesmo a vida inteira, ainda mais se não for procurada a ajuda de um profissional especialista.

Nos tópicos a seguir, você encontra as principais informações sobre o que é misofonia: tratamento, causas e como controlar.

• O que é misofonia?
• Qual é a causa da misofonia
• Misofonia, hiperacusia e fonofobia
• Principais sintomas da misofonia
• Os sons que tendem a incomodar mais
• Quais são as formas de tratamento
• Como conviver com o problema

 

O que é misofonia?

Pode-se diz que a misofonia é uma condição que provoca uma reação negativa aos sons. Em geral, barulhos e ruídos que não incomodam as demais pessoas. Além dos exemplos já dados, outros são o som do chiclete sendo mastigado, a respiração e a digitação no teclado.

Batidas de lápis, latidos, espirros, pingos de água e outros ruídos que se repetem conseguem até mesmo levar o indivíduo a sentir pânico. É como se esses barulhos desencadeassem esses sentimentos, que podem ser apenas uma irritação, evoluir para uma angústia e chegar à fúria.

Já o termo misofonia significa a junção da palavra miso, que significa ódio, aversão, e da expressão fonia, que é relativo a som. Então, trata-se de uma aversão ao som, por isso, é tida como um problema associado à diminuição da tolerância auditiva.

Além disso, diferente de outras situações, que veremos mais adiante, a misofonia é desencadeada apenas com determinados sons, inclusive, os que são repetitivos e possuem um padrão. E mais, esse som para se tornar motivo de raiva não precisa ser alto.

A pessoa que sofre dessa enfermidade se incomoda mesmo com barulhos baixos, o problema está na repetição com a qual ela o ouve. Dessa forma, é comum que o indivíduo não consiga se concentrar até mesmo se o som estiver relativamente longe, porém, audível.

É importante deixar claro ainda que portadores de misofonia não possuem problemas de audição. Afinal, a condição é desencadeada quando certos sons provocam um efeito no cérebro, podendo assim ativar o centro das emoções.

Não é o caos sonoro que irrita quem tem essa doença, e sim, como dito, certos ruídos, mesmo que estejam baixos e distantes. É comum que pessoas com o problema até mesmo usem fones de ouvido para se protegerem dos sons que as perturbam.

 

Qual é a causa da misofonia

Sabe-se que a misofonia é uma doença neurológica, sendo que a irritação que os sons podem causar está no fato de que os estímulos auditivos são confundidos dentro do sistema nervoso central. Há indivíduos, inclusive, que têm uma condição semelhante, mas que afeta a visão.

Estudos conseguiram entender ainda que o desencadeamento das crises pode estar relacionado com uma ou mais experiências negativas. Isto é, acontecimentos que possuem alguma relação com os barulhos que incomodam.

Mesmo que se entenda o mecanismo de como funciona o problema, a medicina não evoluiu muito a respeito de qual é a sua causa. A razão desse mistério pode ser porque a condição foi reconhecida como doença há pouco tempo, na década de 1990.

Antes disso, a doença já existia, mas não era tida como uma enfermidade. E, mesmo que se desconheça a sua causa, entende-se que o problema pode ter origem hereditária.

Em grande parte dos casos, é na infância que a condição começa a se manifestar. Dessa forma, recomenda-se que, ao primeiro sinal de misofinia, a pessoa seja encaminhada para um especialista. Essa atitude pode tornar o tratamento mais fácil e promissor.

 

Misofonia, hiperacusia e fonofobia

A misofonia, às vezes, pode ser confundida com outras duas condições. São elas a hiperacusia e a fonofobia. Enquanto a primeira se refere a um problema em que os sons são percebidos de forma anormal, podendo levar à dor física, a segunda é o medo ou raiva de alguns sons.

No caso da hiperacusia, assim como da misofonia, também se trata de doença associada à redução de tolerância de som. Porém, diferente da misofonia, determinado som é insuportável para o portador da condição e não apenas intolerável. Dessa maneira, a hiperacusia é debilitante e está associada à sensibilidade a certas frequências ou volumes de som. Assim, a quem possui essa condição, parece que um barulho é muito mais alto do que é para as demais pessoas.

Já a sua causa é conhecida e tem relação com a exposição a níveis de decibéis excessivamente altos.

Enquanto isso, a fonofobia é considerada um transtorno em que o indivíduo tem medo de alguns sons ou até raiva. Há especialistas que consideram esse quadro como um caso extremo de misofonia. Por isso, esse paciente pode apresentar sintomas como ataques de pânico, crises de ansiedade, suor excessivo, estresse intenso, tonturas, enjoo, dor física sem explicação e até mesmo desmaiar.

 

Principais sintomas da misofonia

Como já mencionado, os sintomas de misofonia incluem reações fortes e negativas a certos barulhos. Embora se tenha observado nos últimos anos, que a maioria dos pacientes são crianças, trata-se de uma condição que pode surgir em indivíduos de todas as idades.

A doença prejudica o humor dos seus portadores, que podem apresentar raiva ou ansiedade. É comum ainda que apareçam sintomas psicológicos, como depressão. Não raro, o indivíduo pode mostrar ainda sinais de irritação e mesmo se tornar agressivo.

Por se tratar de algo bastante abstrato, além do auxílio de um especialista, o próprio paciente tem a capacidade de contribuir para o diagnóstico. No entanto, pessoas próximas, que observam as crises, também conseguem contribuir para diagnosticar a enfermidade.

Nesse caso, é fundamental que se recomende a quem sofre do problema que busque por ajuda médica especializada.

Por consequência dos sintomas da misofonia, podem surgir ainda outras reações, tais como:

• Agitação;
• Desejo de sair de onde está;
• Afastamento de determinadas atividades, que podem estar associadas aos barulhos que incomodam;
• Reação desproporcional a um simples ruído;
• Tornar-se agressivo com a fonte do barulho;
• Prejuízo das relações interpessoais.

Mesmo que não seja o mais comum, existe ainda a possibilidade de que ocorram os seguintes sintomas:

• Aumento dos batimentos do coração;
• Dor de cabeça;
• Problemas de estômago;
• Dor no maxilar.

 

Os sons que tendem a incomodar mais

Embora qualquer som possa desencadear uma crise no portador de misofonia, o mais frequente é que sejam os ruídos. Veja a seguir quais são os principais motivadores de irritação e outros sentimentos negativos:

• Sons relacionados com a voz
Exemplos: sussurros, voz anasalada e utilização de palavras de modo repetitivo.
• Sons provocados pela boca
Exemplos: mastigar, beber, bocejar, escovar os dentes e beijar.
• Sons da respiração
Exemplos: respiração ruidosa, roncos e espirros.
• Sons de animais
Exemplos: pássaros cantando, animais bebendo água e cachorro latindo.
• Sons do ambiente
Exemplos: televisão ligada, páginas roçando, teclas do teclado e barulho do relógio.
Além disso, pode haver pessoas com intolerância a mais de um ruído.

 

Quais são as formas de tratamento

Assim que quaisquer sintomas aparecerem em si mesmo ou em pessoas próximas, é indiscutível a necessidade de buscar, o quanto antes, a ajuda necessária. Dessa maneira, recomenda-se consultar um otorrinolaringologista, que pode ajudar a diagnosticar o problema.

Esse médico também pode sugerir o melhor tratamento para o paciente.

Na realidade, existem diferentes abordagens para o tratamento, sendo que o ideal é aquele escolhido de acordo com as peculiaridades de cada paciente. Veja alguns exemplos a seguir:

• Terapia
Uma técnica bastante usada é a terapia, uma vez que as sessões podem ajudar a pessoa a aprender a tolerar os barulhos que a incomodam. E, assim, se torna possível ter uma vida com mais qualidade, a medida em que se consegue evitar crises de raiva ou angústia.

• Terapia de comportamento cognitivo
Entre as terapias, destaca-se a terapia de comportamento cognitivo. Nesse caso, o psicólogo trabalha a fim de fazer com que os sons, que desencadeiam os sentimentos negativos, possam fazer com que o paciente tenha outras emoções, ou seja, reações mais amenas.

• Mudanças no estilo de vida
As recomendações para o estilo de vida, que podem exigir algumas mudanças no cotidiano, conseguem evitar as crises do problema. Para tanto, é possível fazer uso de proteção auditiva, como tampões de ouvidos e mesmo aparelhos auditivos específicos.
Outra dica é criar as chamadas zonas livres de ruído, dentro de espaços de convivência. Além disso, existem alguns truques, como acrescentar outros ruídos no ambiente, a fim de disfarçar os sons que são irritantes para o portador de misofonia.

A realização de atividade física é mais um hábito indicado que pode ajudar, bem como seguir dicas para que se tenha mais qualidade de sono. Ou seja, investir na própria qualidade de vida pode ajudar a aumentar a tolerância aos sons desagradáveis.

E mais, existem grupos de apoio que podem contribuir em muito com o tratamento. Musicoterapia é mais uma técnica e pode ser útil para alguns casos de misofonia. Isso quer dizer que o indivíduo pode experimentar diferentes abordagens até encontrar a ideal para si.

No entanto, esses tratamentos possuem como foco a qualidade de vida do paciente, para que consiga viver com bem-estar, já que o problema em si não possui cura com medicamento, por exemplo.

 

Como conviver com o problema

Mesmo que o paciente de misofonia consiga controlar a irritação e a angústia que sente com determinados sons, como já dito, não existe cura para o problema. No entanto, as terapias e mudanças de hábitos conseguem chegar a resultados mais do que satisfatórios.

De qualquer forma, é preciso ter em mente que é possível sim evitar as crises do problema e ter uma vida normal. Essa possibilidade deve motivar os portadores do quadro, a fim de buscar tratamentos que possam contribuir com a sua melhora.

Afinal, em alguns casos, o portador de misofonia tem prejuízo das suas relações interpessoais, já que se sente perturbado com barulhos que os outros fazem. Portanto, ao não tratar a enfermidade, infelizmente, o resultado pode até mesmo chegar ao total isolamento social.

Essa situação é a mais complicada para uma pessoa com a doença.
Então, busque formas de reduzir os sentimentos ruins que determinados barulhos causam e busque um especialista hoje mesmo. Você merece qualidade de vida e bem-estar.



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