Memória auditiva: o que é, testes e como treinar


A memória auditiva, mecanismo que faz com que as pessoas ouçam sons e saibam o que significam, é de extrema importância para o desenvolvimento humano. Por isso, se houver algum problema nesse sistema, podem aparecer diferentes distúrbios.

Afinal, o indivíduo não consegue se comunicar de forma apropriada com os demais e nem entender o que está acontecendo ao seu redor.

Continue lendo este artigo e, nos tópicos a seguir, confira as informações pertinentes a respeito do tema:

• O que é memória auditiva;
• Exemplos de memória auditiva;
• Novas descobertas sobre a memória auditiva;
• Problemas relacionados à memória auditiva;
• Como avaliar e tratar os problemas de memória auditiva;
• Como desenvolver a memória auditiva

 

O que é memória auditiva

Também conhecida como memória ecoica, a memória auditiva faz parte de um dos registros sensoriais da memória, principalmente, da memória curta. Dessa forma, é tida como mais resistente às lesões cerebrais.
Em outras palavras, a memória auditiva é a responsável pela soma de informações sonoras que as pessoas recebem a curto prazo. Por isso, ela conta com uma extensa área de armazenamento e, mesmo sendo de curto prazo, é mais longa do que a memória visual.

O seu funcionamento se dá da seguinte maneira: os estímulos são enviados de forma automática para o processador auditivo central. Chegando a este local, é criada uma espécie de imagem sonora para que seja guardada no cérebro por um determinado período.

Assim, a imagem sonora é reproduzida só em ocasiões em que há o estímulo auditivo. Isto é, quando uma pessoa se faz uma pergunta e ela lembra da resposta, quando é recordada a voz de alguém ou o nome de alguém que conhecemos recentemente.

É possível dizer ainda que a memória auditiva é a capacidade que se tem de aprender ouvindo. Dessa forma, compreender as informações que são ouvidas ocorre também porque os sons e a sequência que possuem são gravados pelo indivíduo.

Além disso, a memória sensorial é medida no córtex auditivo primário e abrange áreas diferentes do cérebro, uma vez que necessita de vários processos. A maioria dessas regiões ficam no córtex pré-frontal, onde são processados a concentração mental e o controle.

 

Exemplos de memória auditiva

Ainda não entendeu bem o que é memória auditiva e quais são as memórias ativadas pelos sons? Então, veja a seguir alguns exemplos e quando ela é acionada.

• Lembrar mentalmente da voz de alguém;
• Lembrar-se do nome de um indivíduo que há pouco lhe foi apresentado;
• Repetir o número de telefone ou endereço que recentemente foi informado;
• Em um concurso de emissora de rádio, ela se lembra da resposta e telefone para dizer a resposta.

Quando o indivíduo não consegue fazer isso, em decorrência de problemas que afetam a memória auditiva, é porque as vias centrais da audição foram afetadas. Mais especificamente, as zonas cerebrais relacionadas às habilidades auditivas.

São elas que conseguem detectar sons, interpretar informações sonoras e funções afins. Isso quer dizer que o sistema auditivo periférico, que inclui cóclea, nervo auditivo, tímpano e ossículos, não possui nenhum dano.
Por isso, mesmo ouvindo perfeitamente o que é dito, o indivíduo não consegue entender a mensagem transmitida.

 

Novas descobertas sobre a memória auditiva

Recentemente, a memória auditiva é motivo de estudos científicos, que procuram compreendê-la melhor. Assim, pesquisadores identificaram os circuitos cerebrais que se ativam quando o indivíduo se lembra dos sons e os manipula na mente.

Da mesma forma, identificaram a rede neural, chamada de fluxo dorsal, que tem responsabilidade por determinados fatores associadas à memória auditiva. Além disso, dentro da corrente dorsal, há pulsos elétricos rítmicos, denominados ondas theta.

Para o estudo, analisaram voluntários durante a execução de atividades, onde deveriam reconhecer um padrão de sons quando ele era invertido. Esse tipo de exercício ativa a memória auditiva.

E, para acompanhar os resultados, fizeram uso de equipamentos que conseguem registrar a atividade cerebral. Com isso, foi possível identificar a amplitude e a frequência das ondas theta enquanto realizavam a tarefa.

A pesquisa pode compreender melhor como as ondas theta atuam nas funções cerebrais. Assim, sabendo como funciona com maior exatidão a memória auditiva, é possível investir em tratamentos mais eficiente para muitas doenças, entre elas, a doença de Alzheimer.

Já as causas de problemas associados à memória auditiva, em geral, são desconhecidas. No entanto, há indícios de que se tratam de distúrbios genéticos. Lesões cerebrais por anoxia, traumatismo craniano e otites de repetição podem ser algumas das possíveis causas.

De modo semelhante, distúrbios neurológicos e atraso maturacional das vias auditivas do sistema nervoso central ou o envelhecimento natural do cérebro são outros motivos para o surgimento do problema.

 

Problemas relacionados à memória auditiva

Quando existe um déficit de processamento da memória auditiva, é possível que o indivíduo desenvolva alguns problemas, como transtornos e patologias. Entre eles, existe o transtorno de processamento da linguagem, que afeta, em especial, as crianças.

Esse quadro é conhecido ainda como distúrbio do processamento auditivo central, transtorno do processamento auditivo e doença da incompreensão. Atualmente, já se sabe que se trata de um problema relativamente comum.

No entanto, por muito tempo, foi confundido com outros quadros, como transtorno do déficit de atenção ou dislexia. É normal ainda achar que a criança possui uma deficiência auditiva, como as mais comuns, que são do tipo neurossensorial e condutiva.

Nesse caso, são realizados os exames audiométricos, mas que não mostram dificuldade do indivíduo ouvir. Isso porque problemas na memória auditiva se manifestam através da dificuldade para repetir os sons e as palavras que são ouvidas.

Por consequência, podem desencadear ainda transtornos relacionados à leitura, dislexia adquirida, discalculia e TDAH – Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade.

Ou seja, crianças com problemas de memória auditiva estão mais propensas a ter dificuldade para prestar atenção e lembrar-se do que foi dito oralmente. Assim, demoram mais para reconhecer e processar as informações ouvidas.
O resultado disso pode ser o baixo rendimento escolar, problemas de comportamento e até mesmo emocionais, causados pelo sentimento de incompetência e frustração.

Outros transtornos provocados pelo déficit na memória auditiva são dificuldades para desenvolver o vocabulário, entender a linguagem, aprender uma nova língua, compreender um texto e soletrar uma palavra.

E mais, adultos também podem desenvolver o déficit de processamento da memória auditiva. O quadro é mais comum em indivíduos que sofreram um trauma craniano com lesões no dorsolateral, córtex pré-frontal e córtex temporoparietal ou mesmo uma lesão cerebral.

 

Como avaliar e tratar os problemas de memória auditiva

Assim que a pessoa apresentar algum sinal de sofrer de problemas associados à memória auditiva, é urgente buscar ajuda médica. O especialista em neurologia é o médico que pode realizar uma avaliação neuropsicológica completa.

Com isso, consegue-se medir com exatidão a memória auditiva do indivíduo e, assim, constatar se existe algum problema. Para tanto, se faz uma avaliação neuropsicológica computadorizada, que analisa o nível cognitivo.
Outra opção é fazer a bateria de avaliação cognitiva, que também mede com precisão o nível cognitivo do paciente, além de contar com testes cognitivos diversos a fim de mensurar a memória auditiva.

Esses testes consistem em exercícios para verificar a habilidade da pessoa na hora de interpretar os estímulos auditivos. Ou seja, o paciente deve extrair o significado de uma informação, além de entender de modo imediato.
Existe ainda o teste de sequência WOM-ASM, mais completo. Ele não só analisa a memória auditiva, como também analisa o planejamento, memória visual, a operacional e a de curto prazo, bem como a percepção espacial, tempo de resposta e a velocidade de processamento.

Já para tratar os quadros que afetam a memória auditiva, existe o treinamento auditivo, que consiste em um dos métodos terapêuticos mais aplicados nesses casos. O seu objetivo é o de promover a reabilitação auditiva.
Na prática, consiste em um conjunto de tarefas acústicas pré-determinadas, a fim de ativar ou modificar o sistema auditivo. Isso quer dizer que todos os tratamentos para os problemas de memória auditiva consistem em treinamentos para estimular o entendimento da audição.

 

Como desenvolver a memória auditiva

Além de melhorar a memória auditiva, algumas técnicas podem ser muito eficientes no tratamento dos problemas associados ao quadro. Por isso, são métodos eficientes não só para prevenir possíveis problemas, como também para tratar quando já existem.

Por isso, os jogos para desenvolver a memória auditiva são indicados a todas as crianças, uma vez que é nessa fase da vida quando os distúrbios podem aparecer. Vale lembrar que esse tipo de memória é de extrema importância para as crianças.

Afinal, já na vigésima semana de gestação, o feto reage a estímulos auditivos. Portanto, não é de se estranhar que mesmo um pequeno déficit de memória auditiva pode levar a dificuldades associadas à fala, ao vocabulário e ao desempenho na hora de ler e escrever.

Perante essa situação, desenvolver a memória auditiva se torna um grande aliado do crescimento e aprendizagem dos pequenos. Para tanto, é preciso treinar a atenção aos sons, a discriminação auditiva e o sequenciamento de sons.

Isso deve ser feito de maneira totalmente lúdica, incluindo a “contação” de histórias, a leitura de historinhas com rimas e de poemas, bem como cantar músicas e promover brincadeiras que envolvam ritmo e palavra.

Alguns jogos são utilizados ainda com adultos. Veja a seguir exemplos que ajudam a desenvolver sua memória auditiva:

• Que som é esse?
Para realizar essa brincadeira, é preciso usar objetos que fazem sons variados, como zíper, chocalho, apito e outros. Faça ainda sons com o corpo, como bater palmas e assobiar. Diga para a criança fechar os olhos, faça um som e peça para que ela tente adivinhar.
Em seguida, faça uma sequência de sons com os objetos e pergunte para a criança quais foram os objetos usados e em qual ordem. O ideal é começar a brincadeira apenas com dois sons e, aos poucos, ir acrescentando outros.

• O que está faltando?
Esse jogo pode ser feito logo após o anterior, porque a ideia é fazer os mesmos sons de antes, na mesma sequência, porém, deixando um de lado. Com isso, a criança deve identificar qual dos barulhos não foi feito dessa vez.

• Viagem em pensamento
A criança deve fechar os olhos, pensar no lugar para onde gostaria de viajar e escolher um objeto para levar. Depois, pergunte a ela qual é o lugar e o objeto escolhidos e, com isso, forme uma frase, repetindo o artigo escolhido pelo pequeno e incluindo um a mais.
Na sequência, a criança deve repetir a frase e acrescentar mais um item e, assim, sucessivamente, até que haja vários itens para se levar à viagem.

• Teste de reconhecimento de vozes
Para essa brincadeira é preciso de várias pessoas, sendo que todos devem ficar de olhos vendados e uma delas no meio do círculo. Quem promove o jogo deve caminhar pelo lado de fora do círculo e tocar um dos participantes que, por sua vez, deve perguntar: quem é?
Quem está dentro do círculo deve adivinhar o nome do participante que falou. Se errar, quem fez a pergunta entra no seu lugar.

• Jogo rio ou ribeira
Para esse jogo, trace uma linha no chão e coloque um cartaz em cada lado da linha. Um deles deve dizer “rio” e, o outro, “ribeira”. Assim, os participantes devem se deslocar para o local indicado por quem está promovendo a brincadeira.

Portanto, a cada comando, é necessário ir para um lado ou outro, sendo que a indicação deve ser alternada e aleatória. E quem se enganar deve sair do jogo.

• Jogo do apito e o reconhecimento de padrões de sons
Posicione os participantes em fila, separados por uma distância de, no mínimo, um metro. Use um apito e emita o seu som uma vez, assim, os participantes devem dar um passo à frente. Se o apito soar duas vezes, o passo deve ser para trás.

A ideia é acrescentar outros sons e outras quantidades de passos para que sejam realizados movimentos variados. Assim, podem ser mais elaborados à medida que o jogo avança. Quem errar um dos comandos sai do jogo.

Enfim, os exemplos são infinitos, mas o mais importante é a conscientização do problema e a consequente busca por auxílio profissional.



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